Fandango do Paraná: 2011

FANDANGO PARANAENSE

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL!

FELIZ NATAL E UM ANO NOVO REPLETO DE FELICIDADES E REALIZAÇÕES

São os votos de Marcos Flavio Malucelli a todos que visitam o blog e que tem amor pela cultura do nosso litoral. Desejo também a todos os fandangueiros muita saúde, dedicação e força de vontade para continuar com essa linda contribuição cultural que é o fandango caiçara. E aos amigos e mestres fandangueiros que se foram, que estão junto a Deus e Jesus Cristo, as nossas saudades. Desejo a todos os amigos das associações de fandangueiros de Morretes, Paranaguá e Guaraqueçaba, e aos amigos da Associação Mandicuera de Paranaguá, que 2012 seja repleto das bençãos de Deus, pela determinação e força de vontade com que todos demonstram fazendo tudo o que vocês fazem pela nossa cultura, pelo nosso fandango e por nossos fandangueiros.

Que DEUS abençõe todos vocês!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

ASSOCIAÇÃO CULTURAL EM MORRETES

Um grupo de amigos com interesse na cultura popular da nossa região está se estruturando para a criação de uma associação cultural em Morretes que irá divulgar as atividades culturais da nossa região, com a realização de várias oficinas (construção de instrumentos, artesanato, músicas folclóricas, fandango, pau de fita), palestras, criação de um grupo teatral e exposições.
Quem tiver interesse em participar das reuniões, favor entrar em contato pelo email do blog.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

CHEGAMOS EM 13.000 VISITAS

Chegamos em 13.000 visitas, o que está significando uma média de 1.000 visitas por mes no blog. Uma ótima notícia, pois assim sabemos que muita gente admira o fandango como cultura popular. Fiquem a vontade para comentar, enviar emails, sugestões, pedir informações, etc... O Blog é para isso mesmo. Muito obrigado!!!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Nilo Pereira

NILO PEREIRA - Fandangueiro, construtor de violas e rabecas
Guaraqueçaba - PR

Telefone para contato - (41) 8517-5855

RIO DOS PATOS - GUARAQUEÇABA

A região de Guaraqueçaba começou a ser ocupada a partir do século XVI, quando os bandeirantes paulistas atravessaram os sertões litorâneos com o objetivo de prear os índios e procurar ouro. Desde então, muitos europeus fizeram desse território ponto de passagem. Outros porém, como os portugueses, se fixaram e legaram muitas das manifestações culturais encontradas ainda hoje.

Já no século XX, recebe um contingente de migrantes vindos do sul do estado de São Paulo, proporcionando a criação de várias comunidades, entre elas a de Rio dos Patos. Como todas as comunidades da região, também está inserida na Área de Proteção Ambiental - APA de Guaraqueçaba, criada pelo Governo Federal em 1985.

Para chegar a essa localidade, é necessária uma longa viagem, pois a região é de difícil acesso. Partindo da cidade de Guaraqueçaba, viajando pela baía de mesmo nome, segue-se por via marítima, passando por outras comunidades costeiras como Tibicanga, Canudal e Sebuí, na Baía dos Pinheiros, até chegar ao Rio dos Patos. Com um pequeno barco ou canoa a remo, ou ainda a pé se o rio estiver na vazante, chega-se a um dos portos de areia, seguindo a pé durante duas horas por uma trilha ao longo da margem direita do rio até a comunidade.

A comunidade foi formada próxima ao Rio dos Patos pela família do senhor Julino Pereira, que instalou-se lá na década de 40, em busca de melhores terras. Nessa época viviam lá cerca de 200 pessoas, na sua maioria pertencentes à família Pereira. Por isso, tornou-se um ato comum o casamento entre primos. Os que não levam o mesmo sobrenome, são chamados pelos Pereira de "gente estranha", mesmo aquele que casa com pessoa da família.

As casas são todas de madeira, extraida da própria mata, sendo que as moradias cointém de um a três quartos e uma sala ampla, onde se realiza o fandango. As cozinhas, geralmente construidas a um metro de distância da casa, são de chão batido e cobertas com palha de uma folha conhecida como Guaricana. A iluminação é feita com velas, lampião a gás ou querosene e o tradicional fogo-de-chão, sendo este de fundamental importância, pois é ali que eles cozem os alimentos e, ao redor dele, acontecem as prosas, realizam as modas de viola e se aquecem no frio.

Comunidade de Rio dos Patos

NILO PEREIRA

Nilo Pereira nasceu na Comunidade de Rio dos Patos em Guaraqueçaba no dia 22 de outubro de 1954. Filho de Julino Manoel Pereira e Auzira Coelho, morou na comunidade até seus 39 anos quando mudou-se para Guaraqueçaba.

Com 14 anos começou a construir instrumentos de fandango, vendo seu pai que era excelente fandangueiro. Seu Julino tocava e construia rabecas e violas.

Quando em Guaraqueçaba, há 17 anos atrás, ajudou a criar o grupo de Fandango da Familia Pereira onde está até hoje.

Em 2001 foi criada a Associação de Fandangueiros de Guaraqueçaba onde foi o primeiro tesoureiro.

Realizou várias oficinas de construção de instrumentos em cidades do Paraná como Castro, Curitiba, Campo Largo, Londrina, Paranaguá. No estado de São Paulo esteve em Ilha Comprida, Juréia e São Paulo. Esteve também no Rio de Janeiro e Brasília.

Nilo com uma de suas rabecas

Nilo no fandango

Rio dos Patos

Rio dos Patos

Rabeca e tamancos

Nilo e Leonildo Pereira com o grupo de Mestre Eugênio
Nilo Pereira, dona Durçolina e Leonildo Pereira

terça-feira, 15 de novembro de 2011

FALECEU MESTRE MARTINHO DOS SANTOS


Faleceu ontem em Morretes Mestre Martinho dos Santos, ganhador do Prêmio Culturas Populares 2008 - Mestre Humberto de Maracanã, construtor de Rabecas e violas do Fandango, vítima de enfarto.

Nascido no Rio Sagrado, região de Morretes, filho de Manoel dos Santos, também construtor de rabecas. Aprendeu a fazer instrumentos observando o pai trabalhar.

Sua primeira rabeca surgiu de uma forma copiada de um violino que lhe encomendaram para conserto. Daí aprimorou a habilidade, ficando conhecido como exímio construtor de rabecas e violas. Utiliza-se de ferramentas simples, adaptando objetos caseiros e, também, inventando outros que lhe facilitam o ofício. Para calcular as medidas necessárias à confecção exata dos instrumentos, utiliza simplesmente os olhos, o que lhe propicia construir, a cada vez, um instrumento diferente do anterior. Suas rabecas são bastante apreciadas por diversos instrumentistas já consagrados e também por turistas estrangeiros. Paralelamente ao trabalho com as rabecas, Martinho trabalha em uma roça próxima à sua casa, cuidando e cortando madeira. O dono da roça lhe permite utilizar a madeira de que necessita para o trabalho com os instrumentos. Essa madeira, portanto, lhe chega sem qualquer beneficiamento. Não havendo em sua oficina, que se situa em uma parte de sua própria casa, nenhum tipo de máquina para beneficiar madeira, ele realizava o trabalho com instrumentos manuais , como o serrote, plaina, lixa, ou com outros que ele mesmo vai adaptando e inventando.

Na verdade, a "rebeca", como ele a chamava, a viola e os outros instrumentos eram para ele possibilidades de contatar pessoas diferentes, ligadas ao universo da arte. Seu Martinho se orgulhava de já ter construído de 1500 a 2000 instrumentos.

Além de compor casualmente, tocava viola e cantava músicas do fandango em dupla com seu amigo Marinho. Os dois eram muitas vezes convidados para apresentações em festas folclóricas em diversas cidades próximas a Morretes e na Festa Feira Agrícola e Artesanal de Morretes.

Seu Martinho tinha seu jeito próprio de cantar, improvisando os versos de suas modas e tocando sua viola de 10 cordas.  Como ele não vai ter ninguém mais. Uma grande perda para a nossa cultura e para Morretes.

Seu sepultamento foi hoje, 15 de novembro às 16:00 horas no Cemitério de Morretes.

Descanse em paz seu Martinho!


Mestre Martinho em sua oficina



domingo, 13 de novembro de 2011

APRESENTAÇÃO DE FANDANGO NA FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROCIO

Estive ontem em Paranaguá na festa de Nossa Senhora do Rocio e assisti a apresentação de fandango do grupo do mestre Brasilio na barraca de artesanato. Sempre é muito bom ver o nosso fandango sendo apreciado e aplaudido pelos visitantes e romeiros da festa. Estavam presentes mestre Brasilio, o Zeca Martins, seu Anísio Pereira, seu Waldemar entre outros.

12.000 VISITAS

OBRIGADO PELAS 12.000 VISITAS
Se poderem comentar as postagens a gente agradece. Pois só assim saberemos o que vocês acham do blog e da nossa cultura litorânea.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

PROJETO ESCOLA CAIÇARA ITINERANTE

Estive nesse fim de semana em Iguape/SP participando de uma reunião sobre o projeto descrito abaixo, para garantir a propriedade e soberania dos territórios habitados pelas comunidades tradicionais caiçaras, perpetuando o seu modo de vida e sua cultura. Publiquei também aqui no blog o Decreto nº 6.040 de 7 de fevereiro de 2007 que institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. CLIQUE AQUI PARA LER O PROJETO.

PROJETO:
ESCOLA CAIÇARA ITINERANTE: SEMEANDO NOVAS LIDERANÇAS E PERPETUANDO A CULTURA DE POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS

Objetivo: Mobilizar e articular as comunidades tradicionais caiçaras do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, para conhecimento dos seus direitos e defesa de seus territórios na continuidade dos seus saberes e prática tradicionais culturais.
Público: Comunidades Tradicionais e Pontos de Cultura
1ª FASE
Setembro e Outubro
2011
Setembro:
Visita as comunidades do litoral sul do Rio de Janeiro e litoral norte de São Paulo (Paraty, Trindade e Ubatuba)
Outubro: Visita as comunidades do litoral sul de São Paulo e litoral norte do Paraná (Peruíbe, Miracatu, Iguape, Cananéia, Cardoso, Curitiba, Morretes, Paranaguá e Guaraqueçaba)
2ª FASE
Outubro e Novembro
2011
Capacitação sobre direitos e defesa das comunidades tradicionais caiçaras.
21/10 as 10 hrs – Trindade/RJ (Praia do Meio – Rancho dos Pescadores
06/11 as 14 hrs – Iguape/SP (Escola Benedito Rosa Carneiro)
3ª FASE
Março/2012
Encontro Interestadual em São Paulo (Juréia) – Criação da Coordenação Nacional dos Povos Caiçaras
17/03 – Juréia (local a ser confirmado)
4ª FASE
Elaboração de cartilha com informações do Projeto e suas ações

Coordenação do Projeto: Dauro Marcos do Prado – (13-81456662) dauro_itatins@yahoo.com.br
Apoio: Adriana Souza Lima – (13-97752903) dri_guarau@hotmail.com
Agentes Locais: Robson D. Possidonio, Ana Rosa, Gerson Florindo, Cleiton C. do Prado, Antonio Lara Mendes, Natalia L. de Oliveira, Marcos Venicius de S. Prado e Eloir Paulo R. de Jeus (Poro).



DECRETO 6.040 DE 07/02/2007

Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais.

                        O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VI, alínea “a”, da Constituição,

                        DECRETA:

                        Art. 1o  Fica instituída a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais - PNPCT, na forma do Anexo a este Decreto.

                        Art. 2o  Compete à Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais - CNPCT, criada pelo Decreto de 13 de julho de 2006, coordenar a implementação da Política Nacional para o Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais.

                        Art. 3o  Para os fins deste Decreto e do seu Anexo compreende-se por:

                        I - Povos e Comunidades Tradicionais: grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição;

                        II - Territórios Tradicionais: os espaços necessários a reprodução cultural, social e econômica dos povos e comunidades tradicionais, sejam eles utilizados de forma permanente ou temporária, observado, no que diz respeito aos povos indígenas e quilombolas, respectivamente, o que dispõem os arts. 231 da Constituição e 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e demais regulamentações; e

                        III - Desenvolvimento Sustentável: o uso equilibrado dos recursos naturais, voltado para a melhoria da qualidade de vida da presente geração, garantindo as mesmas possibilidades para as gerações futuras.

                        Art. 4o  Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. 


                        Brasília,  7 de  fevereiro  de 2007; 186o da Independência e 119o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Patrus Ananias
Marina Silva


Este texto não substitui o publicado no DOU de 8.2.2007.


ANEXO
POLÍTICA NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL DOS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS 


PRINCÍPIOS

                        Art. 1º  As ações e atividades voltadas para o alcance dos objetivos da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais deverão ocorrer de forma intersetorial, integrada, coordenada, sistemática e observar os seguintes princípios:

                        I - o reconhecimento, a valorização e o respeito à diversidade socioambiental e cultural dos povos e comunidades tradicionais, levando-se em conta, dentre outros aspectos, os recortes etnia, raça, gênero, idade, religiosidade, ancestralidade, orientação sexual e atividades laborais, entre outros, bem como a relação desses em cada comunidade ou povo, de modo a não desrespeitar, subsumir ou negligenciar as diferenças dos mesmos grupos, comunidades ou povos ou, ainda, instaurar ou reforçar qualquer relação de desigualdade;

                        II - a visibilidade dos povos e comunidades tradicionais deve se expressar por meio do pleno e efetivo exercício da cidadania;

                        III - a segurança alimentar e nutricional como direito dos povos e comunidades tradicionais ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis;

                        IV - o acesso em linguagem acessível à informação e ao conhecimento dos documentos produzidos e utilizados no âmbito da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais;

                        V - o desenvolvimento sustentável como promoção da melhoria da qualidade de vida dos povos e comunidades tradicionais nas gerações atuais, garantindo as mesmas possibilidades para as gerações futuras e respeitando os seus modos de vida e as suas tradições;

                        VI - a pluralidade socioambiental, econômica e cultural das comunidades e dos povos tradicionais que interagem nos diferentes biomas e ecossistemas, sejam em áreas rurais ou urbanas;

                        VII - a promoção da descentralização e transversalidade das ações e da ampla participação da sociedade civil na elaboração, monitoramento e execução desta Política a ser implementada pelas instâncias governamentais;

                        VIII - o reconhecimento e a consolidação dos direitos dos povos e comunidades tradicionais;

                        IX - a articulação com as demais políticas públicas relacionadas aos direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais nas diferentes esferas de governo;

                        X - a promoção dos meios necessários para a efetiva participação dos Povos e Comunidades Tradicionais nas instâncias de controle social e nos processos decisórios relacionados aos seus direitos e interesses;

                        XI - a articulação e integração com o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional;

                        XII - a contribuição para a formação de uma sensibilização coletiva por parte dos órgãos públicos sobre a importância dos direitos humanos, econômicos, sociais, culturais, ambientais e do controle social para a garantia dos direitos dos povos e comunidades tradicionais;

                        XIII - a erradicação de todas as formas de discriminação, incluindo o combate à intolerância religiosa; e

                        XIV - a preservação dos direitos culturais, o exercício de práticas comunitárias, a memória cultural e a identidade racial e étnica. 


OBJETIVO GERAL

                        Art. 2o  A PNPCT tem como principal objetivo promover o desenvolvimento sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, com ênfase no reconhecimento, fortalecimento e garantia dos seus direitos territoriais, sociais, ambientais, econômicos e culturais, com respeito e valorização à sua identidade, suas formas de organização e suas instituições. 


OBJETIVOS ESPECÍFICOS

                        Art. 3o  São objetivos específicos da PNPCT:

                                 I - garantir aos povos e comunidades tradicionais seus territórios, e o acesso aos recursos naturais que tradicionalmente utilizam para sua reprodução física, cultural e econômica;

                        II - solucionar e/ou minimizar os conflitos gerados pela implantação de Unidades de Conservação de Proteção Integral em territórios tradicionais e estimular a criação de Unidades de Conservação de Uso Sustentável;

                                III - implantar infra-estrutura adequada às realidades sócio-culturais e demandas dos povos e comunidades tradicionais;

                        IV - garantir os direitos dos povos e das comunidades tradicionais afetados direta ou indiretamente por projetos, obras e empreendimentos;

                        V - garantir e valorizar as formas tradicionais de educação e fortalecer processos dialógicos como contribuição ao desenvolvimento próprio de cada povo e comunidade, garantindo a participação e controle social tanto nos processos de formação educativos formais quanto nos não-formais;

                        VI - reconhecer, com celeridade, a auto-identificação dos povos e comunidades tradicionais, de modo que possam ter acesso pleno aos seus direitos civis individuais e coletivos;

                        VII - garantir aos povos e comunidades tradicionais o acesso aos serviços de saúde de qualidade e adequados às suas características sócio-culturais, suas necessidades e demandas, com ênfase nas concepções e práticas da medicina tradicional;

                        VIII - garantir no sistema público previdenciário a adequação às especificidades dos povos e comunidades tradicionais, no que diz respeito às suas atividades ocupacionais e religiosas e às doenças decorrentes destas atividades;

                        IX - criar e implementar, urgentemente, uma política pública de saúde voltada aos povos e comunidades tradicionais;

                        X - garantir o acesso às políticas públicas sociais e a participação de representantes dos povos e comunidades tradicionais nas instâncias de controle social;

                        XI - garantir nos programas e ações de inclusão social recortes diferenciados voltados especificamente para os povos e comunidades tradicionais;

                        XII - implementar e fortalecer programas e ações voltados às relações de gênero nos povos e comunidades tradicionais, assegurando a visão e a participação feminina nas ações governamentais, valorizando a importância histórica das mulheres e sua liderança ética e social;

                        XIII - garantir aos povos e comunidades tradicionais o acesso e a gestão facilitados aos recursos financeiros provenientes dos diferentes órgãos de governo;

                        XIV - assegurar o pleno exercício dos direitos individuais e coletivos concernentes aos povos e comunidades tradicionais, sobretudo nas situações de conflito ou ameaça à sua integridade;

                        XV - reconhecer, proteger e promover os direitos dos povos e comunidades tradicionais sobre os seus conhecimentos, práticas e usos tradicionais;

                        XVI - apoiar e garantir o processo de formalização institucional, quando necessário, considerando as formas tradicionais de organização e representação locais; e

                        XVII - apoiar e garantir a inclusão produtiva com a promoção de tecnologias sustentáveis, respeitando o sistema de organização social dos povos e comunidades tradicionais, valorizando os recursos naturais locais e práticas, saberes e tecnologias tradicionais.

DOS INSTRUMENTOS DE IMPLEMENTAÇÃO

                        Art. 4o  São instrumentos de implementação da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais:

                        I - os Planos de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais;

                        II - a Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, instituída pelo Decreto de 13 de julho de 2006;

                        III - os fóruns regionais e locais; e

                        IV - o Plano Plurianual. 


DOS PLANOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
DOS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS

                        Art. 5o  Os Planos de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais têm por objetivo fundamentar e orientar a implementação da PNPCT e consistem no conjunto das ações de curto, médio e longo prazo, elaboradas com o fim de implementar, nas diferentes esferas de governo, os princípios e os objetivos estabelecidos por esta Política:

                        I - os Planos de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais poderão ser estabelecidos com base em parâmetros ambientais, regionais, temáticos, étnico-socio-culturais e deverão ser elaborados com a participação eqüitativa dos representantes de órgãos governamentais e dos povos e comunidades tradicionais envolvidos;

                        II - a elaboração e implementação dos Planos de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais poderá se dar por meio de fóruns especialmente criados para esta finalidade ou de outros cuja composição, área de abrangência e finalidade sejam compatíveis com o alcance dos objetivos desta Política; e

                        III - o estabelecimento de Planos de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais não é limitado, desde que respeitada a atenção equiparada aos diversos segmentos dos povos e comunidades tradicionais, de modo a não convergirem exclusivamente para um tema, região, povo ou comunidade. 


DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

                        Art. 6o  A Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais deverá, no âmbito de suas competências e no prazo máximo de noventa dias:

                        I - dar publicidade aos resultados das Oficinas Regionais que subsidiaram a construção da PNPCT, realizadas no período de 13 a 23 de setembro de 2006;

                        II - estabelecer um Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável para os Povos e Comunidades Tradicionais, o qual deverá ter como base os resultados das Oficinas Regionais mencionados no inciso I; e

                        III - propor um Programa Multi-setorial destinado à implementação do Plano Nacional mencionado no inciso II no âmbito do Plano Plurianual.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

BAILE DE FANDANGO - 05/11/2011 - CLUBE MANGUE SECO

Baile de Fandango dia 05/11/2011 no Clube Mangue Sêco na Ilha dos Valadares com o grupo do
Mestre Brasilio e convidados. Entrada livre.
NÃO PERCAM!! PRESTIGIEM O FANDANGO DO NOSSO LITORAL!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

FANDANGO NA E-PARANÁ

A e-Paraná (Rádio e Televisão Educativa do Paraná)  vai promover uma grande celebração ao fandango, a maior manifestação musical do nosso Estado, em um programa de auditório a ser transmitido ao vivo pelas rádios AM 630 e FM 97.1MHz. O show Fandango acontece no próximo sábado, dia 22, às 16 horas, no auditório do Canal da Música (R. Julio Perneta, 695 – Mercês), com entrada franca.
O evento vai fazer um apanhado de belas canções desse ritmo característico do litoral do estado do Paraná, trazendo a presença do grupo de música e dança Meu Paraná, a Orquestra Rabecônica do Brasil, Ulisses Galetto e Grace Torres do grupo Fato. Além deles, participarão também alguns representantes da Família Pereira, tradicional grupo de fandangueiros do litoral norte paranaense. O evento contará com a apresentação do jornalista Sílvio de Tarso.
A diretora das rádios e-Paraná FM e e-Paraná AM, Adriana Sydor, chama atenção para o formato diferenciado do programa: “É diferente dos que estão no ar, não só aqui, mas em todas as outras rádios do país. Desde abril, realizamos, mensalmente, um programa ao vivo, com auditório, músicos, plateia, apresentador, etc. Depois de explorarmos várias temáticas, chegamos ao fandango, que representa a música do Paraná”, explica.
Paulo Vítola, o presidente da emissora e-Paraná, conta que essa ação – que une todas as unidades da e-Paraná (as duas rádios, a TV e o Canal da Música) – vem ao encontro da proposta da emissora em investir na música de qualidade. “Além da apresentação com transmissão ao vivo pela FM, a TV também registra a apresentação e transforma esse material num especial que será apresentado ainda este ano”, conta.

Serviço: Fandango: Programa de auditório com apresentação de Silvio de Tarso e participação dos grupos Meu Paraná, Orquestra Rabecônica do Brasil, os músicos Ulisses Galetto e Grace Torres do grupo Fato e integrantes da Família Pereira. Sábado, dia 22, às 16h, no Pequeno Auditório do Canal da Música, com transmissão ao vivo pelas rádios e-Paraná FM 97.1 e e-Paraná AM 630, ou pelo site www.rtve.pr.gov.br
Entrada franca e classificação livre.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

11.000 ACESSOS - OBRIGADO!


Muito obrigado por prestigiar a cultura do nosso litoral!!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

MODA DO BICHO GRILO - MANDICUERA

Mais um grande vídeo do Mandicuera. A moda do Bicho Grilo!

domingo, 18 de setembro de 2011

Orquestra Rabecônica

O fandango paranaense nos palcos do festival de Curitiba.
Fonte: RPC - Paraná TV 1ª Edição Curitiba

terça-feira, 6 de setembro de 2011

FALECEU MESTRE EUGÊNIO


Verdadeira referência do fandango paranaense, Mestre Eugênio, morador da Ilha dos Valadares em Paranaguá, faleceu no último domingo, dia 04, deixando de luto a cultura parnanguara, paranaense e até brasileira.
Ele, que foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural da Presidência da República, concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela contribuição à cultura brasileira no incentivo à propagação do fandango, dança típica do Litoral Paranaense. O presidente Lula e o então Ministro da Cultura, Gilberto Gil fizeram entrega das honrarias em novembro de 2006. Mestre Eugênio foi classificado na classe de Comendador na área de cultura popular.
“Era um grande entusiasta da cultura de Paranaguá”, também disse o prefeito José Baka Filho ao anunciar seu falecimento na reunião de secretariado nesta segunda-feira, pela manhã. “Um verdadeiro lutador da cultura, assim como toda a família, na Ilha dos Valadares”, continuou.
Violeiro e construtor de viola era uma das memórias da cultura caiçara, sempre trabalhando para preservação do fandango.
“O Fandango do Paraná está de luto com o falecimento do Mestre Eugênio”, finalizou o prefeito Baka de Paranaguá".

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Cozinha Caiçara da Casa Mandicuera

Quando for até Paranaguá para conhecer o fandango e se tiver um tempinho, vá almoçar na Associação Mandicuera  na ilha dos Valadares e experimente os sabores da cozinha caiçara.
A cozinha caiçara do Ponto de Cultura Casa Mandicuera, estará aberta todos os finais de semana para atendimento ao público.

CARDÁPIO:
Barreado
Peixe seco com banana
Arroz lambe -lambe
Siri metido a besta
Trapo de raia
Bolinho de barreado
Bolinho de raia defumada
Ssaladas
Ensopado de peixe ( pamoná de ventrecha de goiri, corvina e pirão do mesmo)
Camarão caiçara.
Café intiruma
Café com bolinhos de; raia, barreado e banana
Bebidas, cerveja, caipirinha, mãe ca filha, cataia e refrigerantes.

Reservas pelos telefones; 41 3425 5275 e 8889 8395

Uma grande iniciativa do Mandicuera, 


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Chegamos em 9.000 visitas! Obrigado!


Chegamos em 9.000 visitas! Espero que logo alcance os 10.000 acessos.
Obrigado a todos que visitam o blog, e peço que enviem comentários sobre as postagens
e votem na enquete ao lado.
Como diz mestre leonildo: "É prá quebra moçada!!!"


 

sábado, 16 de julho de 2011

JOÃO BUSO - CANTADOR E CONTADOR DE HISTÓRIAS

         Numa época em que o protestantismo não estava inserido na região, o catolicismo não dava "conta" de visitar todas as comunidades, restava a eles - CAPELÃO - fazer a reza dos terço-cantado, novenas, cultos e outras celebrações de cunho religioso que necessitassem na comunidade.
        Não era diferente na Ilha Rasa, onde ali perto, nas Gamelas, residia Seu João Buso, como todos o conheciam. Seu nome João Alves Batista. nascido naquelas bandas pelos idos de 1930, seu João Buso era um exímio violeiro de fandango, cantador de Romaria do Divino Espírito Santo, Puxador do Terço-Cantado (o último Capelão) e um grande contador de histórias e causos de nosso povo Caiçara.
João Buso - foto: Felipe Varanda / Museu Vivo do Fandango
 Conhecedor das antigos fandangos, era muito procurado, tendo contribuido para inúmeras pesquisas que retrataram a cultura caiçara, sendo que no ano de 2009, por iniciativa do Grupo Mandicuera foi selecionado no Prêmio Culturas Populares Mestra Izabel artesã ceramista do Vale do Jequitinhonha/MG prêmio da Secretaria da Diversidade Cultural/Ministério da Cultura.
        Muito de seu conhecimento, repassado ao Grupo Mandicuera, hoje faz parte dos espetáculos e do acervo deste, que em breve lança um documentário sobre a vida e o conhecimento de João Buso acerca do Terço-Cantado, tradição esta que seu João fez questão de ensinar para Aorélio Domingues, após este ter concordado com o pacto que segue o repasse deste conhecimento: "aquele que aprender terá que cantar no velório do Mestre que o ensinou"...

... e assim fez Aorélio, neste mês de junho, quando faleceu o Mestre João Buso. 
João Buso e Aorélio Domingues - imagem captada do documentário "Divino folia, festa, tradição e fé no litoral do Paraná".

Maiores informações sobre João Buso, acesse o blog Informativo Nosso Pixirum no link acima.

sábado, 2 de julho de 2011

BAILE DE FANDANGO - PÉ DE OURO

Hoje tem baile de fandango com o grupo Pé de Ouro no restaurante Laysa II, perto do ponto de embarque para as ilhas. E nos dias 8, 9 e 10 terá a festa da tailha na ilha dos valadares em Paranaguá. Participe.
Logo colocaremos a programação da festa. Com muito fandango e preços acessíveis. Venha saborear a tainha assada da ilha dos valadares.

sábado, 25 de junho de 2011

17a. FESTA JUNINA DO CLUBE MANGUE SECO

Outro evento para participar neste fim de semana é a 17a Festa Junina do Clube Mangue Seco na Ilha dos Valadares. Comidas típicas e baile de fandango todas as noites. Apresentações culturais com o Mandicuera e Mestre Basilio.


BAILE DE FANDANGO COM O GRUPO PÉ DE OURO

Hoje tem baile de fandango com o grupo Pé de Ouro em paranaguá no restaurante Laysa II na rua da praia. Quem for visitar a festa da tainha aproveite e de uma chegadinha no baile de fandango. Início às 22:00 e a entrada é franca.

terça-feira, 21 de junho de 2011

BANDEIRA DO ESPÍRITO SANTO

ROMARIA DE FÉ QUE MOVE A TRADIÇÃO
Trailer do documentário realizado pela Associação de Cultura Popular Mandicuera



A Romaria do Divino é uma manifestação da religiosidade popular das pessoas da Ilha dos Valadares – Paranaguá – Pr. A Romaria visita às casas da região e ilhas próximas, abençoando casas e cumprindo promessas de várias pessoas da comunidade que mantém a fé nesse culto popular. O período que ela se dá é em Pentecostes, que vai da Páscoa até 50 dias depois, o dia de Pentecostes.
As origens dessa manifestação estão em Portugal da Idade Média. Em Paranaguá ela tem a seguinte configuração: duas bandeiras do Divino, onde as pessoas amarram fitas de cetim com promessas e pedidos; a música é acompanhada por viola, rabeca, caixa e voz. As melodias são muito elaboradas e sofisticadas e as vozes são divididas em naipes diferentes e sempre muito afinadas. Qualquer pessoa se espanta ao saber que os tocadores do Divino nunca tiveram noção sobre música formal, não sabem o nome das notas. Ou seja, aprenderam “de ouvido”, com seus antepassados ou pessoas mais idosas da comunidade, por isso carregam a responsabilidade de cumprir com a promessa religiosa e zelar pela sua preservação.

Fonte: FUNCUR e Associação de Cultura Popular Mandicuera

segunda-feira, 13 de junho de 2011

ABACATEIRO - TERRA DE LEONILDO PEREIRA

Casa de Leonildo Pereira

Rabecas em construção

Leonildo Pereira e Graciliano


Rede para manjuba


Fotos: Marcos FlavioMalucelli

PARA NÃO SE PERDER NO BAILE DE FANDANGO

Algumas informações úteis para você que nunca foi em um baile de fandango.
Clique a imagem para visualizar.

8.000 VISITAS

Obrigado pelas 8.000 visitas no blog
O FANDANGO PARANAENSE AGRADECE!
 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Aorélio Domingues

Construtor de instrumentos e fandangueiro
Telefone de contato: (41) 3425-5275

Associação de Cultura Popular Mandicuera

Associação de Cultura Popular Mandicuera de Paranaguá - Ilha dos Valadares
Divulga as atividades populares da região, forma fandangueiros, realiza apresentações culturais.

Telefone de contato (41) 3425-5275
Responsável - Aorélio Domingues

Grupo de Fandango Pé de Ouro

Grupo de fandango de Paranaguá - Ilha dos Valadares

Telefones de contato: (41) 3423-5816   (41) 9118-6140
Email: gpesdeouro@yahoo.com.br

Responsável: Nemézio Costa

CONTATOS DE GRUPOS DE FANDANGO E FANDANGUEIROS

Estou recebendo através do email do blog, várias solicitações de agendamento e orçamentos para apresentações dos grupos de fandango. Por causa disso, postarei os telefones e emails de contato dos grupos de fandango, fandangueiros e construtores de instrumentos a partir de hoje. Como são muitos, os telefones de todos demorarão um pouco a aparecer. Mas vou fazer o possível. O email do blog é somente para prestar informações sobre o blog e não serve para agendar apresentações com os grupos.
Clique no assunto "Contato" para essas informações.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A VISAGEM

No seu mais novo episódio da Série Caiçaras do grupo Mandicuera, Angibériston e Angiclériston tentam desvendar o mistério da freira suicida. Com humor e suspense mais uma história das lendas do litoral do Paraná é contado neste pequeno vídeo.

GRUPO DE FANDANGO DE MORRETES

O grupo de Fandango Profª Helmosa de Morretes estará realizando no mês de Maio reunião para definir quais serão os dias de ensaio e abrindo novas oportunidades para os jovens que queiram participar desse belo trabalho cultural. Mais informações com a profª laurice pelo telefone (41) 3462-1945

7.000 ACESSOS - OBRIGADO!

Chegamos em 7.000 acessos. Obrigado a todos quie visitam o blog e postam comentários. A cultura do nosso litoral agradece!!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

BLOGSPOT FORA DO AR

Nestas últimas 24 horas o blogspot estava fora do ar, por isso todos os comentários feitos nessse período foram perdidos. Peço que se alguém comentou algo, que por favor comente novamente para que possa ser publicado ou respondido.
OBRIGADO!

terça-feira, 10 de maio de 2011

BAILE DE FANDANGO - 14/05/2011

Neste sábado 14/05, haverá baile de fandango com o grupo do Mestre Basílio na ilha dos Valadares no clube Mangue Sêco. A partir das 21:00 horas e a entrada é livre. Venha prestigiar a nossa cultura!
O Clube Mangue Sêco fica na Vila Bela ao lado do campo de futebol do Hermindio. Para quem vem pela passarela é só pegar à direita a rua que passa em frente da Igreja católica e ir em frente.

domingo, 24 de abril de 2011

O FANDANGO SERÁ O PRIMEIRO BEM IMATERIAL DO SUL


Uma das mais belas e legítimas manifestações da cultura do estuário caiçara, que abrange o litoral do Paraná e litoral sul de São Paulo, o fandango, deve se tornar o primeiro bem imaterial do sul do Brasil agraciado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão ligado ao Ministério da Cultura (MinC).

Com isso, a cultura do fandango ganha o status de ser reconhecido pelas suas características particulares e preserva sua ancestralidade, para que as gerações vindouras possam conhecê-la e respeitá-la.

De acordo com o pesquisador e produtor cultural, Eduardo Schotten, ainda não há uma data oficial para o fandango ser reconhecido como Patrimônio Imaterial, mas isto deve ocorrer já em 2011.

“O processo já tem algum tempo, mas está bem adiantado. Para que o fandango pudesse ser alçado a esta condição, foi necessária muita pesquisa e muito trabalho. Estamos felizes que logo o nosso fandango esteja no mesmo patamar da roda de capoeira, do frevo, do samba de roda, feira de Caruaru, Círio de Nazaré, festa do Divino de Pirinópolis, entre outros”, explica.

Schotten revela ainda que o mais interessante disso tudo é o fato de que o movimento partiu da iniciativa popular. “As pessoas envolvidas com o fandango é que correram atrás disto. O mérito é toda delas”, diz.

Além da importância, o fato de se tornar um bem imaterial vai garantir ao fandango condições para a sua sobrevivência. “Ao se tornar este bem imaterial, haverá uma série de ações para que esta tradição tenha sua sobrevivência garantida, muito embora haja um movimento forte e relativamente antigo no Paraná, principalmente na cidade de Paranaguá, para manter a chama do fandango acesa”, avalia o pesquisador.

O fandango trabalha não apenas com a questão cultural, mas também com uma série de atividades que o faz uma maneira de viver, conforme explica o coordenador artístico e vice-presidente da Associação Mandicuera, que fica em Paranaguá, Aurélio Domingues.

“Acredito que o fandango não é apenas um ritmo musical. Ele envolve assuntos como religião (bandeira do Divino), culinária (barreado), luthierismo (produção de instrumentos musicais, como rabeca, viola, etc.), entre outros. Nosso trabalho – e o de outros grupos -ajuda a preservar nossa tradição”, informa.

Para ele, o fandango não corre o risco de ser esquecido, uma vez que esta tradição nunca esteve tão forte. “Temos diversos grupos de fandango em Paranaguá, Guaraqueçaba e Morretes. Estamos montando a Orquestra Rabecômica do Brasil, uma iniciativa inédita, que vai juntar músicos profissionais utilizando apenas rabecas. Por aí você pode constatar que estamos vivos e ampliando horizontes”, afirma.

Quem também corrobora desta informação é a idealizadora do livro Museu vivo do fandango, lançado em 2006, Joana Corrêa. Ela conta que em suas pesquisas percebeu a força por de trás desta tradição.

“Foi dito que o fandango estava fadado ao desaparecimento, mas não foi o que percebi. Pude perceber uma união muito grande entre as pessoas que estão ligadas à esta tradição e posso afirmar que o fandango terá vida longa”, encerra.

Fonte: Ministério da Cultura - Portal da Cultura

terça-feira, 12 de abril de 2011

FANDANGO DO PARANÁ - OLHARES - O livro

O fandango, uma das genuínas tradições do litoral paranaense, é traduzido em imagens e textos no livro Fandango do Paraná: Olhares, com fotos de Carlos Zanello de Aguiar, mais conhecido como Macaxeira, e textos do escritor Edival Perrini.

A obra, com mais de 150 imagens colhidas nos últimos 20 anos pelas lentes de Macaxeira, em suas andanças pelo litoral, especialmente por Guaraqueçaba e Superagui, mas também se estendendo a Morretes, e Paranaguá, retrata os fandangueiros em momentos diversos: construindo suas rústicas violas, tocando nos festejos e vivendo o dia-a-dia.

O autor - O fotógrafo Macaxeira, com mais 30 anos de carreira, trabalha na Secretaria de Estado da Cultura e tem uma vasta participação em exposições. A primeira aconteceu em 1979, coletiva realizada no SENAC, onde foi o segundo classificado. A essa, outras foram realizadas  coletivas e individuais . Entre elas a Maquinaria Pianos Essenfelder, Cerâmica Popular no Paraná e Santa Catarina, O Paraíso Ecológico da Ilha de Superagui: uma Visão da Antiga Colonização Suíça (evento cultural da Rio/92) e A Pesca Artesanal da Tainha.

LITORAL TURISMO - Site Parceiro

Visitem o site litoral Turismo, lá tem várias informações sobre o nosso fandango incluindo algumas modas em MP3 par abaixar.

6.000 ACESSOS

AGRADECEMOS AS VISITAS DE TODOS AO BLOG, E A PARTIR DE HOJE VAMOS ATUALIZAR COM NOVAS MATÉRIAS E FOTOS.
 OBRIGADO A TODOS!!

quarta-feira, 9 de março de 2011

5.000 ACESSOS

MAIS UMA CONQUISTA
CHEGAMOS EM 5.000 ACESSOS
OBRIGADO A TODOS!


Moda: DINHEIRO DO PEIXE MORTO - Mandicuera

Mais um vídeo de produção da Associação de Cultura Popular Mandicuera de Paranaguá. A moda de fandango fala do processo movido pelos pescadores contra a Petrobrás, quando do caso do peixe morto em um saudável e divertido clip.

sexta-feira, 4 de março de 2011

CARNAVAL


Bom, a partir de amanhã é carnaval! Vamos dar uma paradinha nas postagens do blog até depois da quarta-feira de cinzas porque ninguém é de ferro. Vamos cair na folia com bastante moderação na bebida, muita alegria e muita paz! Eu vou curtir o carnaval lá no Akdov em Superagui com aquele fandanguinho dos bons. Recado para o laurentino: "PREPARE A CATAIA LAURINHO!!!!!!"


UM BOM CARNAVAL A TODOS!!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

FALECEU O SEU ANTONIO LEOTÉRIO - Superagui perde um de seus grandes fandangueiros

Faleceu nesta data o sr. Antonio Leotério, 92 anos, fandangueiro da ilha de Superagui. Tocava viola e adulfo animando as noites de fandango do Bar Akdov. Já há vários meses estava com problemas de visão e não saia mais de casa.
Antônio Ramos ou Antônio Leotério, como era conhecido, nasceu na Barra de Ararapira, no ano de 1919 e junto com os quatro irmãos, aprenderam a tocar viola.
Em Superagui era insubstituível no adufo.
Sua contribuição está gravado nos Cd "Quebrando as tamancas" do fandango do Superagui, bem como no DVD "Superagui paraíso e fandango", além de infinitos e diversos vídeos, principalmente no youtube, retratando o fandango no Bar AKDOV em Superagui, e quem sempre estava por lá.
Seu leotério, que DEUS lhe receba e lhe abençoe!
Seu Antonio Leotério tocando viola no bar Akdov
2º Encontro de Fandango em Guaraqueçaba (foto Leco de Souza)


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

MESTRES DO FANDANGO - ILHA DOS VALADARES - PARANAGUÁ

Seu Waldemar, Seu Anísio Pereira e Seu Brazílio contam um pouco de suas histórias com a viola, a rabeca e o fandango no litoral Paranaense.

Parte integrante do Projeto "Um Brasil de Viola - Tradições e Modernidades da Viola Caipira"

www.umbrasildeviola.blogspot.com

Direção e Edição: Cacai Nunes
Câmera: Randal Andrade

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

LENDA DE GUARAQUEÇABA: TANGARÁ - O PÁSSARO FANDANGUEIRO


“antigamente os caçadores proibiam as crianças de irem no mato ver a dança dos Tangarás. O Tangará é um passarinho bonito, tem o pulo de galho em galho como que se tivesse dançando, e sempre seguindo um líder, que vai na frente; Logo dá a despedida com um canto triste “trrrrchiiii” e todos param de pular. Por ser bonito de ver, as crianças seguiam no mato e certa vez uma criança foi ver a dança dos tangarás no mato, foi indo, foi indo e chegou no inferno. Por isso é proibido de ver".
Conta José Hipólito Muniz.

Os Tangarás nasceram da desgraça de uma família, “Os Filhos do Chico Santos”, como narra LEITE em “A Dança dos Tangarás”:
“...os filhos do Chico Santos. Que gente pra gosta de dança! Dançavam por nada. Fandangueavam até na roça, interrompendo o trabalho. Batiam os tamancos no chão quase todas as noites. Uma vez, meu senhor, estávamos na Semana Santa! Pois não é que a rapaziada inventou de fazer um fandango? E fez. Dançaram até de manhã. Mas Deus, que vê tudo, castigou os dançarinos. E sabe o fez? Deu a bexiga nos filhos do Chico Santos. E cada um que ia morrendo ia virando passarinho, o Tangarás. E agora andam aí cumprindo o seu fado... O meu avô sabia dessa história, por isso nunca dançamo na quaresma...”
Sobre a famosa, bonita e um tanto intrigante “Dança dos Tangarás”, MIRA em “A Dança dos Tangarás II”, a descreve:
“...Em bando de oito a dez, sob o comando de um. Nos momentos de canto, reúnem-se no galho de uma árvore e ao sinal do Tangará diretor que pousa noutro galho fronteiro, iniciam o gorjeio. O maestro modula, em solo, um cântico dobrado, ora terno, ora vibrante, as penas meio alvoroçadas pelo ardor da modulação, a cabecinha esticada, o bico entreaberto e o pescoço a regurgitar-se e, a retrair-se na emissão das notas delicadas que se espalham pelo silêncio da mata. E permanece, assim, dois três minutos...Quando termina o hino rompem os demais em coro. As vozes se reúnem, se combinam, estridulam uniformes, todas as cabecinhas se distendem igualmente para a frente, todos os pescoços tem os mesmos movimentos, todos os bicos desferem o mesmo canto macio, cheio, vivo, sonoro, extasiador. Há um descanso rápido. Os Tangarás saltitam aos pares ou isolados, pelo arvoredo. Eis, porém, que o maestro trila, de novo, e todos acodem celeremente, retomando o seu posto: o bando num galho e o chefe no outro, como a princípio. E, unissonamente, galhardamente, a encantadora e plumosa orquestra irrompe, a um só tempo, numa espécie de bailado, pondo-se o Tangará maestro a saltitar em ida e volta do seu galho para o outro em que estão os companheiros, ao mesmo tempo que estes, sempre a gorjear, pulam, também, uns sobre os outros, de modo que os primeiros vão ficar atrás dos últimos e depois estes atrás dos primeiros. E de longe vêm as últimas vibrações do belíssimo bailado”..

Nas modas de fandango, o Tangará também é lembrado, como cantava a saudosa dona Dorçulina Eiglmeier (In Memoriam), dizendo se tratar de “uma moda em que é feita uma fileira de homens de um lado e de mulheres de outro. Os homens batem os tamancos e vão até o meio encontrando com as mulheres e rodopiam”.
“No domingo bem cedinho / fui na fonte me lavá
de lá vim admirado / de vê a dança do Tangará”.

REFERÊNCIAS:
LEITE, Ofir. “A dança dos Tangarás I”. IN: “estórias e lendas de São Paulo, Paraná e Santa Catarina”, Pg 14-16.
MIRA, Crispim. “A Dança dos Tangarás II”. IN: “estórias e Lendas de São Paulo, Paraná e Santa Catarina”, pg 17 e 18.
MUNIZ, José Carlos. Fandango na alma caiçara. Do autor. Inédito.
DEPOIMENTOS:
Dorçulina Fagundes Eiglmeier (In Memorian), José Hipólito Muniz.

Fonte: http://informativo-nossopixirum.blogspot.com
Zé Muniz